sexta-feira, 27 de junho de 2014

sábado, 14 de junho de 2014

Equipamento de Macrofotografia

Segue actualização do meu equipamento de campo.

* Câmaras: Canon 60D e 5D
* Objectiva: Canon MP-E 65mm
* Flash externo: Yongnuo YN565EX
* Flash externo: Canon 550EX
* Ring flash: Walimex Ringblitz
* Difusores dos flashes externos: LumiQuest LQ-107
* Triggers: Yongnuo RF-603C FSK 2.4GHz
* Bracket: Walimex Flip-Bracket
* Suportes flashes externos: Mini Tripod Ball Head Walimex
* Tripé pernas: Sunpak Pro 523PX em carbono
* Tripé cabeça: Manfrotto Ball Head RC2
* Carril de cima: Super Mag Slider Velbon
* Carril de baixo: ebay no brand

Como já disse anteriormente, não se pode considerar uma única "receita" de equipamento para a fotografia de campo, pois depende das condições de mobilidade, trajecto, meio ambiente, tema a ser fotografado, etc. A configuração que estou aqui a mostrar é relativamente pesada e pouco prática para fotografar em mato denso. Por outro lado, apresenta resultados bastante satisfatórios que confirmam o ditado "no pain no gain".

Exemplos obtidos com esta configuração: foto 1, foto 2, foto 3, foto 4

Uma pequena nota sobre o ringflash: está a ser utilizado apenas para redução de sombras. Utilizo-o na potência mínima, os 2 flashes externos são de facto os responsáveis por 90% do trabalho.















sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Encontro Nacional de Macrofotografia


Inscrições AQUI

A macrofotografia já conta com um número relevante de adeptos. Para dinamizar o convívio e a troca de experiências entre os aficionados, a Macrofotografia Portugal irá promover no dia 26 de Abril o seu primeiro encontro nacional na região florestal de Figueiró dos Vinhos.

Organização.........:  Macrofotografia Portugal
Responsáveis........:   Paulo Torck e Carlos Armas
Local...................:   Zona florestal de Figueiró dos Vinhos
Inscrição..............:   15€ por fotógrafo (não inclui as refeições)
Limite..................:  Até 7 de Abril

AGENDA:

07:45 – Chegada ao campo
08:00 – Briefing da manhã:
Boas vindas, o que fazer/fotografar, percurso, cuidado com a natureza e segurança
Mini-formação: configurações básicas da câmara  e iluminação
09:00 – Sessão fotográfica livre
12:00 Fim da sessão da manhã
12:30 – Almoço
14:00 Regresso ao campo
14:30 – Briefing da tarde
O que fazer/fotografar
Mini-formação: composição em macrofotografia
15:00 – Sessão fotográfica livre
18:00 Fim da sessão da tarde
19:30 – Jantar
21:00 – Saída para fotografia noturna
23:00 – Fim da sessão da noite

As “sessões fotográficas livres” e a “saída para fotografia noturna” serão assistidas pelo Paulo Torck e Carlos Armas (apoio fotográfico) e Tatiana Moreira (apoio biológico).


Fotos das zonas florestais de Figueiró dos Vinhos:


























quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Solução económica de bracket para o flash

Em primeiro lugar, para aqueles não sabem o que é um "bracket", trata-se de um suporte que se prende à câmara para colocarmos um flash:


Tal como expliquei no artigo “A escolha de um flash”, a diferença em relação ao flash colocado sobre a sapata está na flexibilidade que o bracket acrescenta em relação ao ângulo da luz. Neste caso consegue-se fazer incidir a luz sobre o tema de forma mais controlada, o que é fundamental no caso das macros, onde habitualmente o tema está a poucos centímetros da objectiva. Ou seja, consegue-se assim direccionar o ângulo e a proximidade da luz, favorecendo quem deseja ter um maior controlo da iluminação.

Há diversas marcas e modelos de brackets a venda, mas também podemos construir um à nossa medida.

Vamos começar pelos custos de uma solução barata e muito fácil de fazer:

- Tripé do chinês: 3,50€
- Chave de bicicleta do chinês: 1,00€
- Parafuso de fixação 1,4”: cêntimos em lojas de bricolage
- Suporte de sapata: 4,90€ 

Total = 9,40€
Tempo de montagem = 5min se muito :)

Segue abaixo o tutorial:

1. Comprar um tripé portátil da loja do chinês...

2. Retirar da embalagem...

3. Abrir as pernas do tripé...

4. Retirar o parafuso que prende as pernas à cabeça...

5. Derosquear a base da cabeça... 

6. Comprar uma chave de bicicletas da loja do chinês...

7. Escolher o buraco mais pequeno da chave...

8. Posicionar a cabeça de forma a ter a manivela de ajuste voltada para fora...

9. Utilizar a base da cabeça para fixar à chave...

10. Ajustar a posição que pretende utilizar o flash...

11. Comprar um suporte de sapata...

12. Prender o suporte à cabeça do tripé...

13. Fixar o bracket à câmara...

14. Ajustar a melhor posição do flash...

15. Utilizar um difusor para suavizar a luz...

16. Pronto para as suas macros!


Algumas observações sobre este projecto:

- A cabeça de tripé da loja do chinês, como o próprio preço indica, não é muito robusto, pelo que deve ponderar a utilização deste bracket apenas com um flash leve. Ao invés do modelo que utilizei neste tutorial (um gigantesco Canon 550EX), o melhor será utilizar um flash mais pequeno como este METZ 20C2:



- Poderá inclusive utilizar um "par" destes brackets...


- Para evitar que a chave (ou chaves) fiquem a deslizar, há que ter em conta o factor "fricção". O ideal será colar à chave uma folha fina de borracha ou silicone. 


- Sobre a forma de fazer “comunicar” o flash com a câmara, as soluções já são mais relevantes em termos de custos. A não ser, é claro, que a sua câmara e o seu flash já sejam do tipo “wireless” dispensando assim investimentos adicionais.

- Se não dispõe deste tipo de equipamento, então terá que adquirir um cabo de extensão para flash, de preferência TTL (há cabos não TTL que são mais baratos mas perdem a qualidade de ajustes do flash via câmara): Exemplo de extensão do flash: 19,90€

- Se pretende algo mais sofisticado, pode adquirir disparadores wireless (triggers), que tanto podem ser TTL como não TTL: Exemplo de triggers não TTL: 85,00€ / Exemplo de triggers TTL: 279,00€


Uma palavra final...

A solução acima é barata e fácil de fazer, mas sugiro vivamente o investimento em cabeças e suportes mais robustos! É certo que os custos sobem, principalmente devido ao preço da cabeça. Haverá ainda algum ganho de peso e o trabalho de recortar ferros, mas será recompensado com uma solução mais fiável para estar em campo:


Nesta solução acima utilizei uma cabeça comprada no ebay que custou cerca de 15€ cada (não inclui o suporte de sapata). O ferro de suporte foi comprado numa loja de bricolage e recortado por mim. O silicone é do tipo utilizado para forrar gavetas.


© Paulo Torck - Fevereiro de 2014

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

A “arte” na macrofotografia

Vi recentemente uma macro de um conhecido fotógrafo estrangeiro num registo muito diferente daquele que havia nos habituado: reflexos pronunciados, profundidade de campo mal escolhida, enquadramento desequilibrado, entre outros erros básicos, não condiziam com o histórico de quem sempre foi perfeccionista na execução dos fundamentos técnicos da fotografia. O estilo pouco habitual na iluminação, mais sombria, pode indicar que a sua intenção teria sido a de realizar uma obra com algum valor artístico, o que inviabiliza de certa forma uma avaliação mais formal.

Temos então um fotógrafo reconhecidamente competente, experiente, com um vasto portfolio de fotografias tecnicamente impecáveis e que em dado momento apresenta um trabalho com uma proposta diferente em termos de estilo e técnica. Terá mudado de equipamento e ainda não se habituado? Não será da sua autoria a tal foto? Terá sido feita após uns copos? Ou estamos a ver apenas o início de um novo estilo "artístico"?

Este episódio fez-me pensar nos pintores de arte que passaram por um percurso de aprendizagem das técnicas básicas de pintura e composição antes de produzirem obras do abstracionismo. Ou seja, uma vez tecnicamente formados, os pintores puderam exercer o legítimo direito da rúbrica artística em subverter ou ignorar as regras para criar algo novo. Da mesma forma, analogamente, seria lícito aos fotógrafos poderem produzir macros artísticas onde as regras fotográficas não são relevantes?

Para não divagar num tema demasiado complexo, vamos focar na seguinte questão: é ou não necessário possuir formação básica das técnicas fotográficas para se produzir uma obra artística?

Sem dúvida que é um tema polémico porque existem defensores do “sim, é necessário” – há que dominar a técnica para produzir arte - e existem os defensores do “não é necessário” - porque a arte permite que a obra possa ser vista sem vínculo com o seu autor, ou seja, ter um valor implícito, independentemente de quem a fez e como a fez. E não menos polémica é a opinião de que para alguém ser rotulado como “artista” deve dominar a técnica para melhor poder se expressar…

Passando ao lado da polémica, parece óbvio que se temos uma ideia por expressar, o domínio da técnica poderá contribuir para uma melhor execução da obra artística.

“Considero que domino a técnica fotográfica, agora quero ser diferente, ter um estilo, fazer arte”. 

Produzir arte é uma ambição legítima e bastante frequente, mas pouco concretizada, seja por receio das críticas, por vergonha do título pomposo/pretensioso ou por se considerar inapto artisticamente. Francamente, sugiro a todos que tenham esta vontade que deixem de inibições e ponham-se a fazer o que acham que são capazes. Não há necessidade de por a prova as suas vocações artísticas, a arte devia existir sobretudo para agradar o seu autor. Se tem dentro de si este "chamamento" artístico, o melhor é meter mãos a obra e se expressar, sem rodeios ou preconceitos.

"Mas afinal o que pode ser considerado arte na macrofotografia?"

Infelizmente não tenho a resposta para isso porque o próprio conceito de arte não permite balizas ou definições. Ninguém neste planeta está credenciado para ostentar o carimbo de “obra artística”, esta é, estão não é. Aliás, a própria inexistência de parâmetros não só impede que uma obra artística seja avaliada como tecnicamente correcta ou deficiente como também impossibilita classificá-la como obra artística, por mais paradoxal que isso pareça. Por isso, se tem o desejo de produzir arte com as suas macros, devia fazê-lo sem receios. Poucos elogios, incompreensão, dúvidas, estranheza, chacota e outras reacções menos agradáveis não deviam coibir a decisão de seguir em frente porque a arte nem sempre é feita para ser agradável ou facilmente digerida.

“Fotos macros artísticas têm valor?”

Valor para quem?
- Para os fotógrafos em geral? Talvez sim, talvez não, talvez achem “piada”.
- Para os biólogos acostumados a documentar pequenas criaturas? Talvez sim, talvez não, talvez achem “piada”.
- Para pessoas acostumadas a lidar com arte? Talvez sim, talvez não, talvez achem “piada”.
- Para a malta das redes sociais? Talvez sim, talvez não, talvez achem “piada”.

O “valor” é relativo ao público que consome a sua obra. Mesmo assim podemos constatar que, tendo em consideração apenas a receptividade global de sites fotográficos e redes sociais, as macros mais originais e criativas, que diferem do registo vulgar próximo ao documental, costumam obter grande aceitação.

Analisemos, a título de exemplo, este “Melhor Macro 2013” atribuído ao Kristian Potoma pela 1x.com:

© Kristian Potoma
© Kristian Potoma
Claramente enquadrada no âmbito artístico, a beleza desta composição agrada leigos e especialistas, de tal forma que recebeu o prémio de melhor macro do ano num dos sites fotográficos mais respeitados do universo online. Todavia, se fosse publicada em fóruns fotográficos como o fotografia@net ou MacrofotografiaPortugal provavelmente seria alvo de críticas específicas como o corte desnecessário das folhas, desequilibro na composição, reflexos pronunciados, falta de magnificação, etc. Se tal facto ocorresse, estou certo que pouco ou nada iria mudar a opinião de quem elegeu a foto como a melhor de todas porque os critérios de avaliação são essencialmente baseados no aspecto global e na originalidade.

Como nota final e para terminar com alguma graçola, revelo que este artigo ia ter outro título: "Será necessário formação técnica para ser artista da macrofotografia?", mas receei que o conceito de “artista” pudesse ter uma leitura menos séria associada a certos indivíduos que proliferam nos sites de fotografia e redes sociais. E como é do conhecimento geral, estes "artistas" raramente precisam de formação... :)

© Paulo Torck - Janeiro de 2014